Olá! Sou um profissional com 13 anos de experiência em Comunicação Corporativa, incluindo planejamento, produção de conteúdo, revisão e endomarketing.
Ao longo da carreira, escrevi textos sobre Saúde, Qualidade de Vida, Previdência, Investimentos, Utilidade Pública, Tecnologia e outros assuntos. Alguns trabalhos que participei até julho de 2018 podem ser vistos aqui.
Em outubro de 2018, comecei a produzir matérias para a Revista Rede Câncer.
Na edição nº 42, escrevi a matéria “Imunidade a Toda Prova”, sobre o caso de uma mulher cujo câncer de mama em estágio avançado foi revertido com células imunológicas.
Na edição nº 43, em “Viajar é Preciso”, relatei, a partir do exemplo de um grupo de amigas com câncer de mama metaestático, como é possível apostar em viagens e passeios para melhor qualidade de vida.
Em “Tratamento menos agressivo e agressivamente eficaz”, abordei um estudo que comprovou que a maioria de pacientes em estágio inicial de câncer de mama não precisa de quimioterapia.
Na edição nº 44, em “Tá na cara”, abordei cursos que ajudam no diagnóstico precoce do câncer; e, em “À primeira vista”, destaquei os benefícios das próteses para pacientes de câncer de cabeça e pescoço.
Em outubro de 2019, passei a fazer parte do LaB D – Laboratório de Marketing Digital, um projeto com alunos e ex-alunos das 3 escolas do Instituto Infnet dedica a produzir conteúdos para canais próprios e atender as necessidades digitais de clientes externos. No Lab D, produzo conteúdo para Facebook, Instagram, Blog e E-mail Marketing. Durante julho e agosto de 2020, por meio do Lab D, fui redator do site, Instagram e E-mail Marketing da startup Janus Sports.
Tenho também muita afinidade com temas culturais relacionados a cinema, televisão, histórias em quadrinhos e literatura. Você pode conferir no meu perfil do Instagram: Tela em Transe.
Estou disponível para trabalhos freelancer de Produção de Conteúdo para canais online e offline.
Se você precisa de apoio para redação de textos jornalísticos, postagens de sites, blogs e redes sociais e outros trabalhos que demandem um conteúdo escrito com Cuidado, Originalidade e Qualidade conte comigo!
Sempre fui um admirador dos filmes de ficção científica, principalmente, daqueles que vão além de combates e de explosões e proporcionam profundas reflexões sobre o futuro da humanidade.
Pessoalmente, gosto de torcer por um futuro no qual a tese de que com as revoluções tecnológicas muitos empregos se extinguem, mas surgem novas profissões.
Embora isso seja comprovado pelo que ocorreu nas revoluções anteriores, não há nada que garanta que a quantidade de novos empregos que surgirão se equivalerá ao número de empregos extintos.
Os melhores filmes de ficção científica, além de apresentarem uma narrativa envolvente, costumam analisar coisas que ocorrem no presente e exploram possibilidades dessas tendências serem amplificadas, gerando grande impacto na sociedade. Procurei observar esses aspectos em quatro clássicos do gênero e compartilho, a seguir, minhas reflexões.
Robocop e a substituição parcial dos humanos
Robocop – O Policial do Futuro
Em “Robocop – O Policial do Futuro” (1987), podemos ver como a tecnologia pode ter um efeito de escala tão grande na substituição de pessoas por máquinas em algumas funções que fica muito difícil para a sociedade impedir que sua implementação ocorra.
Nesse filme, vemos que um policial robotizado eficiente vale muito mais do que o número de vezes que seu potencial é superior ao de um humano. Isso porque na medida que você consiga colocar alguns poucos policiais robôs na rua, teoricamente os criminosos terão muito mais receio de sair para cometer crimes pelo risco de serem pegos por um inimigo tão implacável quanto esse.
Dessa forma, se a ciência conseguir desenvolver um robô policial tão completo quanto o do filme “Robocop”, seria possível reduzir bastante o número de humanos empregados nessa função. Além disso, provavelmente, os policiais humanos restantes deveriam ainda desenvolver competências novas para trabalhar bem em parceria com os policiais robôs.
No meu ponto de vista, as funções que financeiramente não sejam viáveis de serem substituídas por máquinas são as que têm a maior garantia de preservação. Quais seriam essas atividades é uma grande questão.
Blade Runner e a produtividade notável dos andróides
Blade Runner – O Caçador de Andróides
Em “Blade Runner – O Caçador de Andróides” (1982), vemos que foram desenvolvidos andróides que podem ter a aparência humana e uma capacidade amplificada para exercício de funções profissionais variadas. Criados com uma duração de vida menor do que a dos humanos, eles podem, no entanto, ter o corpo mais adequado para trabalhar em colônias espaciais com condições que os humanos não suportariam.
Embora vistos com desconfiança por boa parte dos humanos, os andróides são valorizados pelos resultados que eles geram no trabalho. Hoje em dia, já percebemos que os resultados atingidos pelos colaboradores são muito mais valorizados por muitas empresas do que quaisquer outros aspectos subjetivos como “brilho nos olhos” e “vestir a camisa”.
Dessa forma, teremos defensores, até mesmo no LinkedIn, de “empregar” os mais capacitados, independentemente de serem humanos ou não.
Matrix e a irrelevância do ser humano
Matrix
O filme “Matrix” (1999) apresenta para mim uma das mais temíveis possibilidades de futuro para nossa espécie e ao mesmo tempo uma das que tem mais chance de ocorrer. Nessa trilogia, a inteligência artificial se tornou tão desenvolvida e autosuficiente que o ser humano se tornou necessário apenas para fornecer nutrientes para o funcionamento do sistema, ficando confinado permanentemente enquanto sua consciência trafega por uma realidade artificial.
Hoje, vemos muito o discurso de que a Inteligência Artificial não tem como substituir totalmente o ser humano pois não tem algumas de nossas capacidades. Porém, talvez para um determinado tipo de futuro as capacidades intrínsecas ao ser humano, como a empatia e a criatividade, não sejam mais imprescindíveis.
Felizmente, acredito que ainda levará algumas décadas para que a Inteligência Artificial esteja tão desenvolvida para poder assumir o comando do mundo e poder abrir mão do nosso auxílio.
Gattaca e os privilegiados genéticos
“Gattaca – Experiência Genética”(1997) não chegou a ser um sucesso de bilheteria, mas é inegavelmente um dos filmes mais inquietantes dos últimos anos. Neste filme, as pessoas são destinadas a determinadas profissões e círculos sociais conforme a sua genética, tolhendo assim sonhos de muitas pessoas.
Atualmente, podemos perceber uma tendência a valorizar a meritocracia e de pouca preocupação do Estado em dar oportunidades para todos se capacitarem de forma similar para competirem em igualdade de condições.
Uma criança que manifesta o sonho de se tornar médico, por exemplo, poderá ter chances mínimas de conseguir isso não tanto pela genética em si, mas pela origem dos seus genes. Se nasceu filho de pobres, em um país pouco inclusivo, com educação pública precária, a chance de se formar em medicina será bem menor do que aquele que nasceu filho de ricos.
Considerando, que a manipulação genética possa vir a ser empregada futuramente e que certamente seria um procedimento mais acessível às classes mais privilegiadas, o abismo entre os mais e menos qualificados tende a crescer.
O que mais podemos esperar do futuro?
Sou apenas um profissional de Comunicação e Marketing aficionado por livros e filmes de ficção científica, não sou um futurólogo, nem um cientista. Minha intenção aqui foi mesclar um pouco a minha paixão por esse gênero ficcional com as reflexões que todos nós temos feito sobre como será o futuro do trabalho, sobretudo diante dessa pandemia que já alterou muitos conceitos como a necessidade de o trabalho ser realizado dentro das empresas.
Tem algum outro filme de ficção científica que traz para você indícios significativos de como será o nosso futuro profissional? Comente aqui, por favor.
Se você é um apaixonado também por filmes e séries de ficção científica, siga o meu perfil no Instagram que aborda esse e outros assuntos, “Tela em Transe”.
Nesse período de isolamento social, o BBB foi uma oportunidade ainda maior para as marcas se aproximarem dos seus públicos.
Além da repercussão das ações bem planejadas, algumas marcas ainda foram beneficiadas pela forma como se integraram naturalmente na #narrativa.
Como não lembrar das opções de roupas que a C&A dava para os participantes experimentarem e escolherem aquela com as quais mais se identificavam?
E da alegria dos BBBs ao receberem uma entrega do IFood, ainda mais quando a comida foi escolhida por um parente?
Em uma época em que não pudemos bater pernas por aí, não teve como os ovos de Páscoa da Lacta não chamarem a nossa atenção quando os participantes foram procurar os que ganharam. Além do gosto com o qual comeram, foi tocante ver o Babu guardar para seus filhos.
Cativante também foi a demonstração de amizade da Gizelly em encher a mala da eliminada Marcela com desodorantes Above para ela não gastar dinheiro com isso.
As marcas estiveram atentas às menções nas redes sociais durante o programa e uma demonstração disso foi a Fiat, que diante de muitos apelos, deu um carro também para o Babu, mesmo ele não tendo vencido as provas.
A nova campanha da Rádio Kiss FM dá um belo exemplo de como conseguir mexer com o sentimento dos ouvintes e engajar em um problema de saúde pública.
No mundo do Rock, temos muitos exemplos de ídolos que nos deixam precocemente (O clube dos 27 que o diga), mas também há ícones que estão há muitas décadas por aí e queremos que fiquem quebrando tudo com a gente por muito mais tempo.
Com a mensagem “Vida longa ao rock. Fique em casa”, a Rádio reforça a importância da quarentena para deter a evolução da epidemia do Covid-19. Astros como Steven Tyler (71), Paul McCartney (77), Keith Richards (76), Ozzy Osbourne (71) e outros estão presentes nas peças que buscam conscientizar para a preservação da vida daqueles que têm maior risco, como os idosos.
Nenhum anúncio de lives de artistas sertanejos poderia despertar mais a minha atenção do que essa ação…
Após o decorrer de um ano é legal fazer e ler retrospectivas, ainda mais quando elas podem contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional, certo?
Nas minhas últimas publicações no LinkedIn, tenho destacado alguns cursos, vídeos, livros e pessoas que me ensinaram ou despertaram reflexões em 2019. Foi um ano em que, em paralelo a trabalhos freelancer, projetos profissionais e processos seletivos, pude me dedicar diariamente ao estudo por diversos meios.
Nessa ânsia por crescimento, mesmo nos momentos de lazer, muitas vezes busquei obras artísticas que pudessem me ajudar a evoluir. Nesse artigo, destaco filmes, séries e documentários que contribuíram nesse sentido:
Fyre – Nesse documentário sobre o fracasso de um evento glamouroso, temos uma visão de como é possível usar as mídias sociais para obter um alto engajamento por meio de influenciadores e imagens deslumbrantes.
O filme ajuda também a evidenciar o quanto a ética continua sendo imprescindível na comunicação.
Documentário Fyre
Ozark – Essa série mostra uma família normal que se torna a cada dia mais envolvida com o crime para conseguir sobreviver. O que há de mais construtivo no enredo é a capacidade de resolução de problemas de alta complexidade em pouco tempo.
Série Ozark
Mindhunter – Nesse seriado, os investigadores resolvem novos casos por meio de estudo de estatísticas comportamentais e entrevistas com assassinos seriais.
Dá para fazer um paralelo com o Marketing pela relevância de desenvolvermos um estudo detalhado de Persona antes de implementar uma campanha ou produzir um conteúdo.
Série Mindhunter
Como o Cérebro Cria – Nesse documentário, o neurocientista David Eagleman demonstra como funciona o processo criativo, abordando conceitos como o que a criação não vem do nada e se baseia em coisas já existentes.
“Capitão Fantástico” e “Minimalismo” – No filme e no documentário, podemos ver que é sim possível adotar estilos de vida diferentes da maioria, ser mais racional no consumo e ainda assim ser feliz.
Filme Capitão Fantástico
Merlí – Nessa série espanhola, vemos a exemplificação em cada episódio de que a Filosofia é essencial em nossas vidas, que precisamos refletir sim sobre a lógica das nossas decisões e dos valores que seguimos.
Série Merli
Filmes que Marcam Época – Nessa série de documentários, vemos como sucessos do cinema foram obtidos, superando obstáculos como dificuldades para convencer executivos, restrições de orçamento e recusa de atores.
Documentário Filmes que Marcam Época
O Menino que Descobriu o Vento – Este filme traz grandes lições de superação e persistência ao contar a história de um menino africano que passa por obstáculos para salvar a vida da sua família e ajudar sua comunidade.
Filme O Menino Que Descobriu o Vento
Espero que possa aproveitar algumas das dicas acima e valorizar cada vez mais o que você tem acesso no seu dia a dia, enxergando o lado positivo, sempre que possível.
Todos os títulos acima estão disponíveis na Netflix e assisti-los está me ajudando também a avançar no objetivo do inglês fluente, pois, opto às vezes por legendas em inglês ou no idioma original sem legenda.
E você? Destacaria algum filme ou série que lhe trouxe novos conhecimentos? Conta para mim nos comentários.
“Ah, tá, o Rio de Janeiro precisa de uma roda-gigante com vista para a favela?…que desperdício…”.
SIM! Precisa de roda-gigante e de tudo mais que possa movimentar o #turismo, vocação da Cidade Maravilhosa.
Após a sua inauguração no dia 06/12, a roda-gigante “Rio Star” gerará cerca de 70 empregos diretos na região, isso sem contar os empregos indiretos que serão gerados durante a alta temporada.
Com vista para o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, a Rio Star mede 88 metros e possui 54 cabines, com capacidade para 8 passageiros cada uma. A volta completa na roda-gigante tem duração de 18 minutos.
Quem já quiser adquirir ingressos , os bilhetes já estão sendo vendidos no site oficial da Rio Star com preço promocional para turistas.
O Porto Maravilha é a região que mais vai crescer no Rio de Janeiro, a área está preparada para isso, com internet de qualidade, fácil acesso, além de atrativos como o Museu do Amanhã e o AquaRio.
É importante também que todos se mobilizem para que NÃO FECHE o Museu de Arte do Rio (MAR), que foi inaugurado em 2013 e desde setembro não recebe repasses da prefeitura.
Ao mesmo tempo em que vemos
novidades que vão conquistando terreno rapidamente na predileção das pessoas
como as bandas de K-Pop e o aplicativo TikTok, há uma tendência a
se apostar em conteúdos já muito conhecidos e com valor sentimental para
despertar a atenção de determinados públicos.
Ficando só no ano de 2019,
podemos analisar um vasto repertório de grandes sucessos no cinema, na
música e na publicidade que estão ancorados em personagens e histórias já
consagradas.
Mas por que isso ocorre? Atualmente, vivemos uma era de múltiplas opções
de conteúdos e um trunfo que ajude a estabelecer uma conexão emocional com o
público pode ser a melhor estratégia para uma marca. Nesse caso, é
utilizado o marketing de nostalgia, que tem, entre outras definições, a
descrita abaixo pela empresa Infobase Interativa:
“O marketing de nostalgia usa elementos do passado para criar um sentimento positivo e único nos consumidores, causando respostas emocionais a partir das campanhas.”
O Marketing de Nostalgia nos Filmes
Um caso emblemático do uso de sucessos do passado nesse ano é a nova versão de “O Rei Leão”.
“O Rei Leão”,remake fiel à história original, com visual realista
De todos os remakes Disney produzidos
até o momento, estratégia iniciada em 2010, “O Rei Leão” foi o que mais faturou
(US$ 1,65 bilhão), mesmo com críticas de artistas envolvidos na produção
original como o cantor Elton John.
Assim como outros dos remakes do
Estúdio, esse filme procura ser bastante fiel ao original.
De certa forma, até perde alguns
recursos lúdicos que um desenho animado utiliza facilmente, mas usados em uma
reprodução computadorizada perderiam o realismo.
Mas se é tão parecido e é fácil o
acesso à obra original porque reservar tanto tempo e recursos para produzir
esse filme?
São muitas as motivações, entre elas, o fato
de que o novo produto cria novas formas de receita e reativa o interesse pelo
primeiro filme.
As músicas têm um impacto enorme na
nossa memória afetiva. Muitos casais têm uma canção especial, outras pessoas
têm reativados uma série de sentimentos ao escutar os primeiros acordes de uma
música e muitas outras associações são possíveis.
Geralmente, as músicas que ficam
marcadas no nosso inconsciente são aquelas que conhecemos na infância e na juventude
e mesmo continuando conhecendo novas músicas, até mais sofisticadas, aquelas
antigas ficam registradas com carinho especial.
Buscando capturar esse estilo há
incontáveis músicos que se dedicam a tocar covers de artistas do passado como Beatles,
Legião Urbana e muitos outros.
Até mesmo artistas novos com trabalhos
autorais normalmente apostam em músicas já famosas para engrenarem na carreira.
E por que não os próprios artistas
originais surfarem na onda da nostalgia dos seus sucessos do passado?
Um case de grande sucesso neste ano têm sido a turnê Sandy & Jr., que até agosto já tinha vendido mais de 500.000 ingressos em todo Brasil.
Turnê “Sandy & Jr.” , um case de sucesso em 2019
Nas cidades onde ocorreram shows, fãs viraram a noite
acordados em busca de ingressos, pessoas enfrentaram frio e chuva, compraram
ingressos caros e souvenirs de gosto duvidoso para relembrar emoções do
passado.
Outro exemplo marcante de 2019 é a turnê “Amigos 20 anos –
A História Continua”, que reúne os astros da música sertaneja Chitãozinho,
Xororó, Zezé Di Camargo, Luciano e Leonardo.
O projeto, que vai até 2020, terá mais de 30 shows e promete
também dar grande lucro para seus participantes e emocionar os fãs.
As propagandas normalmente têm pouco
tempo para capturar a atenção do público e transmitir uma mensagem.
Por isso, precisam ser de fácil
entendimento, visualmente instigantes e capazes de conectar emocionalmente com
as pessoas que a marca deseja atingir.
Dessa forma, usar celebridades e
personagens já conhecidos é uma das táticas mais utilizadas pelas campanhas
publicitárias.
Neste ano, tivemos mais um case de sucesso no Brasil com a campanha “Caverna do Dragão: O retorno”, que conseguiu chamar a atenção de uma massa de pessoas que viveu a infância nos anos 80, quando o desenho começou a ser transmitido na TV Globo.
Caverna do Dragão, desenho clássico dos anos 80
O desenho animado teve apenas 27 episódios, não apresentou um final oficialmente,
mas seus personagens adolescentes e com personalidades bem diversificadas
geraram identificação também em gerações que vieram mais tarde.
Inicialmente, a campanha da agência DPZ&T para a Renault criou um rebuliço dando a impressão que teríamos uma adaptação para o cinema. As pessoas começaram a compartilhar, comentar e a expectativa de ver os personagens da infância em carne e osso.
Depois, o que vimos um comercial com excelente caracterização, bom
storytelling e grande apelo para a geração que viveu a infância nos anos 80.
Com todo o buzz provocado, o case conquistou em outubro três troféus do Effie Awards Brasil em diferentes categorias: Ouro em Lançamentos e Prata em Veículos e Branded Content.
Além
do sucesso de crítica e de público, a campanha obteve números relacionados ao
negócio bem significativos como o fato da marca ter obtido o 3º e 4º
lugar no ranking de montadoras em maio e junho; e a meta de pedidos do carro
foi superada em 101% em maio e em 58% em junho.
E aí, destacaria algum outro caso
marcante do marketing de nostalgia?
Uma tendência que tem sido seguida por grandes marcas ao redor do mundo é adotar o marketing de causa, no qual usam sua comunicação para dar visibilidade a causas relevantes para seus públicos e também participam de ações efetivas para não ficarem apenas no discurso.
A Ambev, por exemplo, além de incentivar seus líderes para se tornarem mentores voluntários de 221 ONGs, lançou em outubro uma campanha para recrutar voluntários para diversas ações no site do projeto VOA (Voluntários de ONGs Ambev).
Outra ação efetiva da Ambev foi lançar em 2017 a água Ama, cujo lucro é totalmente destinado a levar água potável para comunidades do semiárido.
Diversas outras empresas estão
fortemente engajadas em causas sociais, como é o caso da Boticário que tem
um programa bem estruturado de diversidade e inclusão, contando com iniciativas
como ter formado 290 funcionários no curso de Libras.
Além de contribuir para melhorar a reputação das empresas, esse tipo de ação pode ter um grande efeito na receita.
Segundo recente pesquisa realizada pela consultoria Cause em parceria com a Ipsos, 34% dos entrevistados afirmam ter comprado algum produto que destinava parte do valor a uma causa social, cultural ou ambiental nos últimos 12 meses.
No meio do futebol já não é uma novidade o uso de camisas e faixas para chamar a atenção da sociedade para temas como combate ao racismo e até mesmo para os clubes demonstrarem solidariedade como nos casos da tragédia de Brumadinho e do avião da Chapecoense.
No entanto, em um momento de tanta turbulência e polarização política, desperta bastante atenção o posicionamento do Bahia, do Sport e outros clubes do Nordeste em relação ao desastre ambiental no litoral do Brasil.
Ações do Bahia, Sport e outros clubes nordestinos
O Bahia jogou no dia 21 de outubro
com uma camisa que trazia imagens de manchas de óleo. A ação que envolve o
uniforme foi desenvolvida pelo próprio clube para alertar sobre os impactos do
desastre. Nesse mesmo jogo, o seu adversário, Ceará, entrou com luvas pretas em
protesto contra o acidente.
Em seu site, o Bahia faz um alerta ao lembrar que este é um problema de todos, incluindo os questionamentos “Quem derramou esse óleo? Quem será punido por tamanha irresponsabilidade? Será que esse assunto vai ficar esquecido?”.
A ação conta com desdobramentos que
vão além de dar visibilidade. As camisas dos jogadores foram comercializadas e
a renda adquirida com as vendas será revertida para o grupo de voluntários
Guardiões do Litoral, que vem realizando um mutirão de limpeza nas praias.
No dia 22 de outubro, CSA, CRB,
Ceará, Fortaleza, Sport e Vitória se uniram em uma manifestação nas redes
sociais com a #SOSNordeste.
Clubes nordestinos em ação conjunta
Além disso, o Sport , em jogo no dia 23 do
mesmo mês, usou camisas que estampavam os nomes das praias de Pernambuco
afetadas pelo vazamento de óleo.
Sport utilizou camisas com nomes das praias nordestinas
Vamos continuar acompanhando as próximas ações
e torcer para que os dirigentes dos clubes de futebol entendam cada vez mais
que faz todo sentido se engajarem em causas que tem a ver com os anseios dos seus
torcedores e que podem ganhar projeção, reputação e até ampliar o valor de suas
marcas.
Pelo fato de não ser algo cultural “virar a casaca”,
muita gente acredita que a marca de um clube tem um público cativo, mas isso
não é uma verdade absoluta por uma série de questões como o envelhecimento
dos torcedores, crianças em fase de indefinição de time, mais mulheres torcendo
ativamente e até mesmo a possibilidade de conquista de novos mercados, como
outros países onde os jogos brasileiros são transmitidos.
Um clube de futebol geralmente se diferencia
dos demais pelas cores de seu uniforme, seu hino, suas conquistas e tradições,
mas, os atributos valorizados pelos torcedores de todos os times são muito
parecidos como a garra, a dedicação e a coletividade dos jogadores.
Sendo assim, vínculos fortes com causas sociais
podem acrescentar uma diferenciação maior para cada clube. Porém, é sempre
necessário ter atenção se a causa adotada se reflete nas práticas dos clubes,
por exemplo, pode ser arriscado se um clube defende causas ecológicas, mas não
recicla seu lixo, despeja esgoto in natura nos rios e outras atitudes
reprováveis.
Além disso, fora de suas torcidas/públicos, os
clubes só têm a ganhar em cultivar uma boa imagem perante toda a sociedade,
angariando simpatia e interesse em assistir suas atuações nos diversos
esportes.
O que você achou dessas ações dos clubes
nordestinos? Seu time já fez uma ação semelhante? Conta aqui nos comentários.
O Rock In Rio 2019 acabou, mas ficaram registrados em nossas mentes muitos momentos memoráveis daquelas sete noites de música e diversão.
A
análise dessas situações, a partir dos erros e dos acertos, pode contribuir
para melhorar o posicionamento de marcas empresariais e pessoais.
Música à parte, quais foram as lições do Rock In Rio 2019?
1) Valorize ao máximo o relacionamento com o seu público
Bon Jovi era o show mais aguardado do Rock In Rio e
apesar de problemas na voz do cantor o show agradou muito a plateia e foi
eleito o melhor da terceira noite do festival por uma enquete no site do G1.
Como ele conseguiu isso?
Na parte musical, pode-se destacar manter um
setlist baseado em clássicos que a plateia ajudou a cantar a noite inteira,
assim como a ótima utilização dos demais integrantes da banda seja em solos
competentes, fazendo backing vocals e até cantando como fez o tecladista na
música “In These Arms”.
Como compensar uma voz fragilizada pelos excessos cometidos com a garganta ao longo dessas décadas?
Bon Jovi caprichou na simpatia e interação com o público
Redobrando
a interação com o público, nas expressões, nos gestos, e na tradicional dança e
beijo em uma fã durante a canção “Bed of Roses”.
A demonstração de carinho com os fãs e esforço foi evidenciada também ao tocarem a música “Always”, que geralmente não faz parte do setlist por ser mais difícil de cantar os agudos.
2) Estabeleça Parcerias para conseguir Visibilidade e Simpatia
Em matéria de projeção e reconhecimento, como não falarmos de Juninho Groovador no Rock In Rio 2019?
Juninho Groovador e Jack Black em momento icônico do show
Morando em uma cidade onde o Rock está longe
de ser o gênero mais popular, ele começou a fazer vídeos demonstrando seu
estilo rebolativo de tocar baixo em músicas de bandas internacionais consagradas.
Se ele fosse ficar se preocupando com
críticas de pessoas, não tivesse autoestima e coragem, dificilmente
surgiriam as oportunidades que vieram em sua vida.
Seus vídeos tocando Nirvana em ritmo de forró
chamaram a atenção do ator e cantor Jack Black há meses e com isso rolou
o convite para a participação do músico nordestino no show do Tenacious D.
Foi um bom exemplo de parceria “ganha-ganha”.
É mais
evidente a vantagem que o baixista potiguar teve com essa projeção mundial, mas
o que se tornou o momento mais marcante daquela noite ajudou a simpatizarmos
com a banda norte-americana e tirar o foco de críticas à escalação de um grupo
pouco conhecido no palco principal.
Até mesmo Dave Grohl, líder da banda Foo
Fighters, fez questão de assistir a participação de Juninho e ir lhe dar um
abraço, demonstrando reconhecimento por esse talento genuinamente brasileiro.
Resta agora acompanharmos se o simpático baixista conseguirá aproveitar a visibilidade obtida, fazendo boas escolhas e cultivando as parcerias.
3) Evite Atitudes que Prejudiquem sua Marca Pessoal
E Drake? Realmente, não tenho o que
falar do show dele, já que não vi…mas, assim como eu, muitas pessoas que não
conheciam bem o trabalho do rapper poderiam ter passado a conhecer e gostar.
Com sua atitude de proibir a exibição do show
do Rock In Rio 2019 pela tv e até das pessoas usarem a tirolesa durante
o seu show, ele pode não ter perdido fãs compreensivos, mas certamente deixou
de ganhar novos fãs.
E a falta de tato do artista e seus
assessores parece ter tido continuidade pois o motivo alegado para a proibição,
o fato de estar chovendo, foi considerado fraco pela maior parte das pessoas.
Diversas bandas tocaram na chuva no início do
festival e isso não impediu que fizessem grandes e empolgantes shows.
Até mesmo, o diretor da Globo, Boninho, se
manifestou nas redes sociais criticando a atitude do rapper:
“Não é verdade! Você pisou na bola por absoluta falta de respeito com o público brasileiro. Mandou seu light designer embora, deu piti geral. Simplesmente não quis liberar. Uma pena para seus fãs brasileiros.”
A participação do artista no Rock In Rio teve outras polêmicas como o fato de demorarem a colocar o festival na agenda oficial do seu site, alimentando rumores de cancelamento do show, e o fato de ter ignorado totalmente seus fãs na chegada ao aeroporto, indo direto do desembarque para o carro sem nem um aceno.
4) Permaneça Inovando
O fato de uma banda já estar estabelecida e
poder se dar ao luxo de fazer o que todos já estão acostumados e ainda saírem
satisfeitos não é o suficiente para o Iron Maiden.
A banda inglesa, com mais de 4 décadas de
existência, é uma das pioneiras do Heavy Metal e tem uma longa história de amor
com o público brasileiro, sendo em 2019 a sua 4ª participação no festival.
Além de um repertório consagrado, o Iron
Maiden trabalha muito bem diversos fatos históricos e culturais em suas
letras, capas de álbuns e na cenografia dos shows, mas nesta edição
conseguiram surpreender.
Entre os recursos utilizados, sempre adequados a cada canção, destacaram-se um avião pendurado e se movendo como se voasse, um anjo que se desfaz em cinzas e a batalha do vocalista Bruce Dickinson contra o gigantesco Eddie, the Monster.
Iron Maiden usou vários recursos cenográficos surpreendentes
Outra inovação a ser destacada foi o fato de
como headliners eles pedirem ao Scorpions para encerrarem a programação,
aparentemente devido às condições físicas dos integrantes do Iron, incluindo
Dickinson, que passou por um tratamento de câncer na língua em 2015.
Com isso, a banda abriu mão de qualquer tipo de vaidade para oferecerem o melhor espetáculo possível para o público, preservando também a saúde pessoal da banda.
5) Posicione-se sobre causas sociais com gentileza
Hoje em dia, muitas pessoas esperam que seus
artistas favoritos se posicionem sobre assuntos relevantes e cobram que não
fiquem apenas em um discurso vazio, sem aderência com a realidade.
Nessa edição do Rock In Rio, presenciamos
muitos artistas se posicionando sobre diversos temas de impacto social como
preservação do meio ambiente e violência, porém, às vezes a forma de
manifestação foi agressiva, podendo agradar aos simpatizantes, mas acirrando a
revolta das pessoas com pensamentos diferentes.
Mereceram destaque a forma afetuosa que artistas como Pink e Imagine Dragonsdefenderam causas como o respeito à diversidade sexual, usando princípios da Comunicação Não-Violenta.
Pink levanta a bandeira da Diversidade Sexual
Usando palavras carinhosas, assim como imagens de apelo emocional, ao invés de incentivar confrontos, permitiu que reforçassem suas personalidades e formas de pensar ampliando a sinergia com o público, sem serem agressivos com pessoas mais conservadoras.
6) Utilize os canais apropriados nos momentos certos
Uma coisa que o Rock In
Rio melhorou bastante após eventos marcantes como a chuva de garrafas de plásticos
no show do Carlinhos Brown foi organizar as atrações nos dias e horários certos,
mas a edição de 2019 ainda apresentou alguns problemas pontuais, nem sempre de
fácil solução.
Quando a rapper Cardi B
cancelou sua apresentação no festival com poucos meses de antecedência,
talvez o mais acertado seria a organização buscar uma substituição com o mesmo
perfil, até para combinar com a atração principal do dia, Drake, do mesmo
gênero musical, mas não foi o que fizeram.
A cantora pop Ellie Goulding
foi a substituta e apesar de ter alguns hits e se esforçar para fazer um bom
show, a plateia agiu com frieza e em entrevista após a apresentação a artista
demonstrou uma certa melancolia quanto a isso dizendo que se alguns fãs
tivessem gostado tinha valido a pena.
No último dia do festival,
também encaixaram uma banda de rock progressivo King Crimson, que existe
há cinco décadas, no encerramento do Palco Sunset em um dia predominante de
música para jovens como pop e rock.
Com isso, esses
respeitados músicos se apresentaram para a menor plateia desse palco secundário
e não deixarão muita lembrança da sua passagem por aqui.
Fazendo o paralelo com a
comunicação das marcas, você pode ter um ótimo conteúdo, mas precisa
escolher corretamente os canais de comunicação e também ter o time certo para
fazer as divulgações.
E você? Que outra lição
aprendeu com o Rock In Rio 2019?
O rosto e a voz da sueca Greta Thunberg hoje são mundialmente conhecidos, angariando a admiração de muitas pessoas e também uma avalanche de críticas.
Independentemente da corrente política que cada um acredita, só temos a ganhar se nos inspirarmos em muitas das atitudes dela, não para imitarmos ninguém, mas para termos uma vida mais relevante para a sociedade.
Mas, afinal, o quê que essa menina fez de tão importante?
Greta Thunberg , estudante e ativista ambiental
No dia 20 de agosto de 2018, Greta, uma
estudante em Estocolmo, filha de um ator e de uma cantora de ópera,
diagnosticada com a Síndrome de Asperger, resolveu faltar a escola e foi
sozinha para frente do Parlamento sueco.
Naquele dia, Greta fez um protesto
solitário, segurando um cartaz no qual estava escrito “Greve escolar pelo
clima” e distribuiu panfletos com informações sobre as mudanças
climáticas no planeta.
O
objetivo dela era chamar a atenção dos políticos de seu País, mas, aos poucos
foi ganhando a simpatia de muitos seguidores ao redor do mundo.
Atualmente,
suas contas no Twitter e no Instagram têm mais de seis milhões de
assinantes, já discursou em eventos importantes como a COP 24 e a Cúpula do
Clima da ONU e seu nome é cogitado até para o Prêmio Nobel da Paz 2019.
Embora
ela não tenha conhecimento e experiência expressivos, por conta da pouca idade, ela tem inspirado muitas
lideranças jovens, tendo sido determinante para que no dia 15 de setembro mais
de 1,5 milhão de estudantes fossem às ruas em mais de 100 países, em uma marcha
pelo clima e a salvação do planeta.
E
o quê podemos aprender com ela?
Como superar os seus limites
Além da Síndrome de
Asperger, Greta foi
diagnosticada com TDAH, transtorno obsessivo-compulsivo e mutismo seletivo.
“Basicamente, isso
significa que só falo quando julgo necessário. Para nós autistas, quase tudo é
preto e branco. Normalmente não mentimos e não gostamos de participar de jogos
sociais, que parecem tão atraente à maioria de vocês”, definiu Greta.
Ela poderia se acomodar com seus problemas e buscar ficar nos bastidores, deixando a parte de discursar e ser o rosto de um movimento para outros com mais facilidade, no entanto, ao invés disso, o que vemos é a sua evolução diária e a convicção nas palavras.
Como alinhar o discurso à prática
Greta realmente acredita que o estilo de vida atual da humanidade levará nosso meio ambiente ao fim, caso não ocorram mudanças bruscas e rápidas em todos os países.
Sua consciência ambiental vem se tornando o compromisso motivador de sua vida, ela evita ao máximo voar de avião, deixou de consumir carnes e laticínios, redimensionou o hábito de fazer compras e reutiliza e recicla tudo que pode.
Para ir a Conferência do Clima da ONU, ela fez uma viagem de veleiro que durou duas semanas de Plymouth, no Reino Unido, para Nova Iorque.
Ela se recusou a viajar de avião por causa das emissões de carbono geradas pela queima de combustível. Sensibilizado, o filho da princesa de Mônaco cedeu seu veleiro sustentável, com painéis solares e turbinas que produzem eletricidade.
Greta em sua travessia marítima rumo à Nova Iorque
Como comunicar
com simplicidade
Com apenas o seu
conhecimento escolar, Greta já ficou o suficientemente indignada com os rumos
do nosso meio ambiente e, por esse motivo, ela não ficou esperando
pacientemente se formar em uma faculdade para ser considerada alguém com preparo
suficiente para debater mudanças climáticas com especialistas.
Primeiro com um simples cartaz e depois com falas em vídeos e discursos, essa menina vem mostrando que transmitir a verdade em que acredita com confiança pode ser o necessário para começar a mudar o mundo.
Greta em seu primeiro protesto solitário em Estocolmo
Veja o vídeo com o discurso de Greta na Cúpula do Clima.
A série “13 Reasons Why”, produzida pela Netflix e
exibida a partir de 2017, é baseada no romance do escritor Jay Asher, publicado
em 2007, e aborda diversos temas dolorosos e reais, como bullying, estupro,
assédio sexual e homofobia, ao mesmo tempo que busca entreter o seu
público.
Em função da campanha intensa de mídia e da repercussão
dos assuntos que seriam tratados na história, comecei a acompanhar a série
desde a sua estreia, algo que não costumo fazer com séries adolescentes.
Ao longo de suas três temporadas, pude observar grandes
dificuldades e críticas que a série foi sofrendo, assim como erros, acertos
e correções sendo implementadas de forma a manter a atratividade da
narrativa e cumprir um papel social relevante. Nem sempre as boas intenções
foram suficientes para causar um impacto positivo nos espectadores.
Na primeira temporada, já sabemos desde o início que a protagonista Hannah está morta e passamos a acompanhar seu amigo apaixonado Clay escutando a cada episódio as fitas cassete que “incriminam” os “culpados” pela morte da adolescente.
Hannah Baker é a protagonista nas duas primeiras temporadas
Nesse
processo, cria-se uma certa aura justiceira para a jovem suicida que expõe os
erros dos outros com a sua morte, ainda mais que a atriz que a interpreta faz
um ótimo trabalho e é dona de uma bela aparência, assim como quase todo elenco.
A
identificação com a personagem é um risco que se correu, porém, também devemos
observar que encontramos vilões cativantes nos últimos anos como Coringa e
Thanos e, nem por isso, é aceitável que essa admiração inspire e justifique
crimes.
No caso de Hannah, optou-se pelo recurso de Clay ainda continuar a ver e conversar com ela após sua morte, dando mais impressão que ela era um fantasma do que coisa da cabeça do rapaz. Criar essa ilusão que a pessoa continua viva por meio de fitas ou de aparições pode ser um estímulo para quem pensa em cometer esse ato.
Ao meu ver, sob a ótica da Comunicação, alguns riscos que a série correu foram válidos porque projetaram diálogos ao redor do mundo sobre práticas nefastas que têm Hannah e outros personagens como alvos e também sobre a negligência que ocorre no dia a dia de muitas escolas, lares e demais ambientes sociais.
Com a repercussão da série, aumentaram muito as buscas na internet por termos relacionados a suicídio e depressão. Se por um lado, há possibilidade de algumas pessoas, mais fragilizadas, se inspirarem na atitude de Hannah, muitas outras podem reconhecer mais facilmente que têm um problema e buscar ajuda.
Adaptações
da série para mitigar críticas
Já na primeira temporada, em função de várias críticas de pais e
especialistas, a Netflix foi procurando consertar algumas falhas. Apenas dois
meses após o lançamento, decidiram colocar em todos os episódios – e não apenas
em três – avisos sobre o conteúdo explícito da série.
A cena mais problemática da primeira temporada foi o suicídio praticado, mostrando a personagem cortando os pulsos e sendo encontrada pela mãe morta na banheira. Somente em 2019, a Netflix seguiu o conselho de especialistas da medicina e editou a cena em questão.
Já no primeiro ano da série, foi produzido um especial sobre os bastidores da série chamado “Por trás das Razões” com o intuito de dar um esclarecimento maior sobre os problemas abordados no programa.
Os atores da série orientam sobre o conteúdo da série e recomendam assistir acompanhado.
A partir da
segunda temporada, esse formato se expandiu apresentando debates educativos
entre especialistas, educadores e os próprios atores sobre os eventos de cada
episódio.
Além da plataforma de
streaming, o site oficial da produção 13ReasonsWhy.Info oferece recursos
e ajuda para adolescentes considerando suicídio ou autoflagelamento.
Evolução da
abordagem após a primeira temporada
Na segunda temporada, após a revelação
dos fatos que agravaram o drama psicológico e físico da personagem principal,
outros temas ganharam destaque como o papel da escola na identificação dos
problemas sofridos pelos jovens e os reflexos do bullying no personagem Tyler que
resolve dar vazão à sua raiva a partir do uso das armas.
Ainda na segunda temporada, o
personagem Clay procura estar mais atento para as dores dos outros e ele é o
principal responsável por resgatar o personagem Justin do submundo das drogas,
com sua família adotando o rapaz, e de usar sua empatia para impedir que Tyler
cometa um ato tresloucado.
Na terceira temporada, o acolhimento a Tyler tem prosseguimento e é dado destaque ao fato que a criação de uma rede de relacionamentos pode salvar uma vida. Esse é um exemplo de atitude que se inspirar as pessoas certamente terá impacto positivo na preservação de vidas.
Já a outra trama deste ano
gerou bastante controvérsia ao abordar a morte do personagem Bryce. Nos
flashbacks exibidos, ele avançou rapidamente do estado de um vilão execrável
para um ser humano consciente dos seus erros e com vontade de melhorar e ajudar
os outros genuinamente, ainda que com problemas psicológicos e com atos
reprováveis como uso de drogas e agressividade verbal.
É nítido que a série procura
justificar que ele só se tornou tão nocivo devido à falta de carinho e atenção
dos pais. O espectador é colocado várias vezes na ótica da mãe de Bryce e da
nova personagem Ani para que consigamos enxergar o vilão de outra forma.
Ao longo das três temporadas,
um recurso narrativo muito explorado é o fato dos personagens possuírem várias
facetas e terem atitudes contraditórias que muitas vezes não são conhecidas
pelos outros.
Sem tanto suspense isso também
acontece na realidade e mais ainda com os adolescentes que estão em uma fase de
formação da personalidade.
Uma forma de remediar isso é procurarmos dialogar mais, com legítimo interesse na escuta, para conhecermos os problemas que estão escondidos para podermos ajudar.
Suicídio: um
problema que não pode ficar invisível
Com
certeza, a série ficcional teve alguns erros, ignorando às vezes a maneira
correta de expor os problemas, mas tem grande relevância por ser uma primeira
tentativa de jogar luz sobre os índices crescentes de suicídio entre os jovens.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde,
a cada ano, mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida, o
que corresponde a uma taxa de mortalidade de 16 por 100 mil habitantes.
De
acordo com o Ministério da Saúde, o suicídio é a
quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil.
Além disso, o Brasil é o 8º país em números
absolutos de suicídio no mundo, a cada 45 minutos uma pessoa se
mata por aqui.
Outros
dados que reforçam a gravidade do problema em nosso país é que somos o país com
maior prevalência de ansiedade no mundo e o quinto em depressão.
Por isso, é muito importante dar toda a projeção possível para a campanha Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio, para sensibilizar e conscientizar sobre essa problemática e suas formas de prevenção.
Pessoalmente, o contato real que tive com o suicídio foi saber que um ex-colega de escola, o qual já não tinha contato, havia cometido esse ato possivelmente por uma cobrança excessiva quanto aos estudos. É difícil entender como um rapaz atlético e divertido, com todo um futuro pela frente, tenha chegado a essa atitude extrema.
Também não consigo acreditar às vezes que pessoas brilhantes e geniais como Kurt Cobain, Chris Cornell e Dolores O´Riordan tiveram essa fatídica decisão.
Precisamos ter mais empatia, identificar os
sinais nas pessoas ao nosso redor e incentivá-los a buscar ajuda treinada e
especializada.
Caso precise, ligue, gratuitamente, 188 ou
acesse www.cvv.org.br